O Mundo dos Titãs

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Autor: Edson Fernandes da Costa

“Eu, Kyoran.”

Tomas ajudou Lilithi entregando uma erva e a mandando mastigar, como o ferimento dela não era grave isso já seria o suficiente, mesmo contra vontade Lilithi aceitou porque eu insisti, ela parecia não confiar nos dois, o resultado foi imediato, braço e quadril curados. Voltamos para o campo e eu encarei os corpos pelo chão, alguns titãs ainda estavam vivos gemendo de dores, tinham alguns com ferimentos pela barriga, pelo peito, já não usavam mais armaduras, de olhos fechados eles agonizavam.

― O que faremos com eles? ― perguntei. Pra que? Lilithi conjurou a espada e matou os últimos dois enfiando as lâminas em suas cabeças. Olhei espantado pra ela, eu não estava tão familiarizado com essa coisa de matar, eu acreditava que matava só o necessário para sobreviver, ver Lilithi fazer aquilo me fez pensar melhor a respeito, será que um dia eu seria como ela?

― Você não estava pensando em ajudá-los, certo? ― perguntou ela me encarando.

― Claro que não, mas eles já estavam morrendo ― respondi fingindo não ligar. Teimo e Tomas ficaram quietinhos do meu lado só olhando Lilithi.

― Matar é melhor, não sobra vestígios, ninguém fará perguntas, não corremos o risco de deixar sobreviventes que falem sobre nós ― ela simplesmente disse isso enquanto fazia a arma sumir. Eu já vinha observando que ela estava usando espadas e não machados.

― Espadas? Elas nem se quer são escuras como os machados ― disse.

― Digamos que um certo dragão me deu de presente ― respondeu ela com um sorriso de lábios fechados, quando ela fazia isso é porque tinha coisa, Lilithi gostava de se exibir e eu já tinha percebido isso, esse jeito dela meio louco me agradava.

― Eraim? Por que ele não veio junto? ― perguntei olhando o céu vendo apenas as nuvens escuras, chuva e raios.

― Alguma coisa sobre atacar o ninho dele, o que importa mesmo é o que fiquei sabendo umas coisas sobre nós ― disse ela envolvendo os braços no meu pescoço, senti seus peitos me apertando, ela continuava sorrindo com seus lábios cerrados.

― Lilithi, temos companhia, e a propósito, temos que sair daqui, precisamos voltar pro castelo ― mas não empurrei nem a afastei. Ela aproximou os lábios, mordeu minha orelha e sussurrou.

― Livre-se deles e vamos aproveitar essa chuva… ― mesmo ela dizendo isso não levei a mal, depois de tudo que ela já havia feito comigo eu a conhecia um pouco, ela estava sendo muito educada em não dizer aquilo alto demais.

― Temos que ir, eu vou arrumar um tempo pra gente depois disso ― disse bem sério, na realidade meu coração já estava decidido, eu não precisava de lembranças nem de mais provas para reconhecer a mulher que gostava de mim de verdade, assim como eu estava começando a desenvolver um forte sentimento por ela. Antes quando estava cercado pelos Tenebris eu achei mesmo que ia morrer, e de fato lembrei dela, foi Lilithi que veio na minha cabeça antes de pensar em Aiya e nos outros.

― Promete que dessa vez não vai me enrolar?

― Acho que só em olhar nos meus olhos você pode ver isso ― disse firme. Lilithi me soltou e se virou para os dois, seu sorriso acabou tão rápido quanto a expressão fechada que se formou em seu rosto ao encará-los.

― Qual é plano sobre eles? ― perguntou ela. O olhar dela fazia eles gelarem de medo, ou talvez fosse a chuva.

― Eu os encontrei em apuros… ― expliquei resumidamente o ocorrido sobre eles. Então depois disso voltamos a andar. Não antes de encarar os titãs que matei, era estranho como eu não sentia nada sobre isso. Não havia escolha, não era como se eu quisesse achar uma desculpa para matá-los, ainda sim, algo me incomodava, eu não estava acostumado a tirar vidas como Lilithi que se brincasse mataria até aqueles dois apenas pra ficar sozinha comigo.

― Então vocês dois são namorados? ― perguntou Tomas que estava do meu lado direito, do lado dele Teimo com medo deu um beliscão em Tomas mais ele já tinha perguntando, Lilithi estava do meu lado esquerdo longe deles. Estávamos já em movimento.

― Somos ― respondi, senti que Lilithi sorriu de lado. ― Podem guarda segredo sobre isso? Não é bom que os outros saibam.

― Pode deixar, nós não vamos contar ― disse Teimo apressado, ele parecia temer Lilithi.

― Ela é um Domínio, não é? ― perguntou Tomas que apesar de assustado não tinha tanto medo como Teimo. Outro beliscão e um “ai”.

― Sim, ela é, mas confio nela, vocês viram, ela salvou minha vida, ela salvou vocês ― disse.

 Teimo pensou sobre o que eu tinha acabado de dizer e sua expressão de preocupação mudou um pouco, eu podia ver que ele estava com frio, mas disfarçava para não nos preocupar, entre nós ele era o único sem benção, Tomas apesar de ainda não ser um titã estava mais forte que o irmão e não tinha perdido tanto sangue, por isso ele sentia menos os efeitos do frio.

― Verdade, irmão, ela nos salvou ― concordou Tomas abrindo um sorriso largo e olhou para o lado observando Lilithi que não gostou nenhum pouco.

― Ah, saco… ― disse Lilithi alto e suspirou antes de continuar se virando de lado pra eles enquanto falava. ― Não entendam mal, eu salvei Dante, vocês são lixo pra mim ― ela estragou completamente o clima de aceitação. Lá se foi tudo que eu havia conquistado, os garotos voltaram a ficar com medo depois de ver a expressão fria dela dizendo isso.

― Lilithi, eles curaram você ― reclamei.

― Eu não pedi pra eles me curarem, eu ia me recuperar de qualquer maneira ― reclamou ela cruzando os braços e apertando os olhos irritada, ela não me olhava, encarava a frente, continuávamos caminhando pela forte chuva.

― E estaria mancando até agora com o braço ruim ― disse de volta. Ela se virou pra mim e sorriu por um segundo esquecendo de tudo.

― Eu faço qualquer coisa por você e sabe disso, mas não me importo com outros, não me peça isso de novo, eu odeio fingir ser boazinha, é um saco lidar com gente fraca que acha que vai morrer toda hora, eu não aguento, passei anos fazendo isso por você antes e não vou fazer de novo, eu quero que você me aceite como eu sou, entendeu? ― perguntou ela bem calma, pelo menos tinha dito alto o suficiente só pra eu ouvir, cheguei a olhar de lado pra saber se os garotos ouviram e fiquei tranquilo notando que eles estavam conversando um com o outro.

― Eu sei e respeito você, não vou pedi isso, apenas não os assuste e não faça nada muito estranho, ta bom? ― perguntei pedindo.

Lilithi me olhou um pouco decepcionada, e concordou voltando a olhar pra frente. Então eu segurei a mão direita dela, ela me olhou, nossos dedos se cruzaram com firmeza e ela me deu um sorriso satisfeita, eu podia me sentir muito feliz com a presença dela, por um segundo até esqueci que estava de baixo da chuva. O forte som dos trovões não paravam, a chuva e os relâmpagos não cessavam também.

Chegando na cidade, um homem alto e magro estava com uma carruagem encostada abaixo de uma lona enorme estendida segurada por várias madeiras pregadas ao chão, onde várias outras carruagens estavam ao lado, somente ele estava presente dentro da sua, as outras estavam vazias. Ele estava sentado no banco da frente com a porta aberta, comia um pão grande tomando alguma coisa em um copo de barro. Ao nos ver ele se inclinou para fora.

― Está fazendo viagens agora? ― perguntou Teimo.

― Com essa chuva toda? Vocês estão de brincadeira, não? ― perguntou.

 Suas duas panteras comiam carne crua em um cocho largo que servia várias outras panteras. Aquilo me lembrou dos porcos do meu mundo, ainda fiquei pensando se elas não seriam perigosas, não estava tão acostumado a ver animais como esses domados, e as panteras daqui eram bem maiores do que as do meu mundo, quase o dobro do tamanho.

― Se não vai fazer viagens o que faz aqui? ― perguntei. Lilithi do meu lado não queria se intrometer, apenas observava as ruas, ninguém a reconhecia como Domínio por estar sem armadura, mesmo assim o homem olhou várias vezes pra ela e não foi por medo, ele parecia atraído pela sua beleza.

― Em que momento eu falei que não iria? ― perguntou ele se voltando pra mim.

― Queremos ir para o castelo da princesa Aiya, quanto essa viagem vai nos custar nessa chuva? ― perguntou Teimo pacientemente, só aí eu entendi, ele queria um valor extra por essa viagem.

― Muito bem, será preciso evitar algumas rotas, dará mais trabalho as minhas panteras, vocês estão todos molhados então vou ter que usar os cobertores reservas… Que tal cinco moedas de ouro? ― perguntou ele. Eu entendia um pouco do dinheiro daqui, sabia que cem de prata valiam uma de ouro, que dez de bronze valia uma de prata.

― Está um pouco caro, mas vamos aceitar ― disse Teimo que nem tentou renegociar o valor, se o homem da carroça descobrisse que ele havia sido perseguido por Tenebris desistiria na mesma hora de nos levar, embora não parasse de dar algumas boas olhadas para Lilithi, Lilithi era linda molhada, seca, seja como ela estivesse, isso me deixou um pouco inquieto

Ciúmes? ― me perguntei.

O homem havia entrado na carroça para ver alguma coisa.

― Vocês têm certeza que vão pagar tudo isso numa viagem? Esse não é o dinheiro da casa de seus pais? ― perguntei pra Teimo.

― Que escolha temos, Dante? É isso ou vamos continuar aqui ― disse Teimo sem opções, eu imaginei que Lilithi pudesse ajudar, talvez ela tivesse dinheiro pra não gastar o deles, de qualquer modo eu não ia pedir, isso ia ser demais pra ela.

― Podem entrar, já preparei tudo lá dentro ― disse o homem saltando pra fora, ele pegou as cordas grossas no chão e foi na direção das panteras, já podíamos partir. Tomas entrou primeiro, depois Teimo, quando subi eu senti uma onda de energia vindo de cima, já estava na escada da carruagem, saltei para fora, eu, Lilithi e o homem da carruagem olhamos pra cima, parecia um enorme meteoro caindo.

Estou prestes a cair”. Lembrei de Akasha me dizer isso da última vez que nos encontramos, então eu senti que era ela.

― Garotos, digam que me encontraram e que eu os mandei, Aiya vai ajudá-los, só não falem sobre a minha namorada, certo? ― perguntei subindo no quarto degrau da carruagem, de dentro eles me olharam confusos.

― Você não vai com a gente? ― perguntou Tomas.

― Rolou um problema e eu tenho que ir, desculpe ― pulei pra fora, acompanhei os últimos instantes da pedra de fogo caindo não muito longe de onde nós estávamos.

― Vamos ― disse e antes que o homem pudesse perceber sumi como uma sombra pela cidade com Lilithi me acompanhando.

― Kyoran, vamos voltar! Isso não é uma boa ideia! ― gritou Lilithi me seguindo.

― Eu não vou abandonar ela! ― gritei de lado.

Continuávamos avançando pela floresta depois da cidade, estávamos bem rápidos, mas precisávamos ser ainda mais, o local ainda estava um pouco longe. Conjurei minha armadura e do lado Lilithi conjurou a dela. Com isso aceleramos, quem visse de longe diria que seriamos como dois borrões cruzando pelas florestas, claro que eu não estava usando toda minha velocidade, isso deixaria Lilithi para trás, eu estava mantendo o ritmo dela. A velocidade que eu podia controlar agora não era como a do original, mas já era algo bem maior que a velocidade comum dos titãs.

― Você nunca me escuta! ― reclamou Lilithi que continuava me seguindo.

Chegamos na cratera onde a poeira ainda estava se dissipando no ar, havia um enorme buraco no chão, o corpo totalmente nu de Akasha flutuava no ar sendo envolvido por um cobertor vermelho que também flutuava, parecia ter vida própria, o Deus das Trevas estava com uma mão estendida apontando para Akasha que parecia dormir despreocupada. Ao lado dele estava a Primeira, assim que chegamos ela se virou para nós, os dois estavam ao lado da cratera. Do buraco ainda podia-se ver fumaça saindo.

― Largue ela e se afaste! ― gritei conjurando as espadas.

― Está louco? Kyoran! Não podemos com eles ― disse Lilithi do meu lado sem conjurar as armas, eu sabia que ela o servia, mas também sabia que ela ficaria ao meu lado.

― Dois encontros no mesmo dia? Acho que estamos virando amigos, não acha, Kyoran? Em compensação essa já a segunda vez que você me ameaça ― disse ele com uma voz fria.

― O que você quer com ela seu desgraçado? Você não tem gente demais no seu exército?Deixe-a em paz! ― gritei apertando os punhos e travando os dentes.

― É mesmo? E o que vai fazer se eu não deixar? ― perguntou ele. A Primeira conjurou sua lâmina de fogo como na primeira vez, então apenas com a mão em chamas, ela mirou a palma e criou uma enorme bola de fogo usando sua aura, em segundos a bola de fogo veio contra nós. Não tivemos tempo para escapar, nossas armaduras foram cercadas por chamas, saltamos para trás fugindo do local que havia sido coberto por chamas, quando pousamos mais atrás e olhamos de volta pra garota de branco ela já havia sumido. As armaduras não sofreram muito dano, isso porque a chuva apagou o fogo rapidamente, até mesmo as chamas do chão de onde fugimos já tinham se apagado.

― É assim que planeja salvar Akasha? Diga-me Kyoran, é com esse poder que você pretende um dia tentar me destruir de novo? Porque se for, é uma verdadeira decepção, imagino que nem percebeu a minha garotinha com a lâmina apontada para o seu pescoço atrás de você agora mesmo ― disse ele e eu me virei rapidamente, lá estava ela com a lâmina tomada por fogo apontada para mim, na mesma hora cessei meus movimentos. ― Sem movimentos bruscos, ela pode até gostar de você, mas uma simples ordem pode te matar, ela é muito mais leal a mim do que você pensa, ao contrario de você eu não a abandonei ― disse ele o que pra mim não fez o menor sentido.

― Já chega, pare com isso, ele não entende ainda! ― gritou Lilithi olhando seu deus.

― Vejam só, deixo você sair por aí e quando volta está carregando uma nova benção, vejo que seu poder aumentou bastante, você não é mais minha Sétima Domínio, a parti de agora você será a Quinta ― disse ele e estendeu a mão, Lilithi gritou e caiu no chão levando as mãos ao peito, suas armaduras se desfizeram e ela se encolheu de dor, eu não aguentei, ignorei a espada e tentei ir até Lilithi. Uma mão segurou meu ombro firmemente por trás e fui empurrado para o chão com tanta força que o chão se rachou em volta de mim, ela forçou até que eu terminasse imobilizado totalmente de cara no chão olhando Lilithi sofrer.

Como? Que poder! ― pensei irritado sem poder fazer nada, meu corpo e minha armadura estavam sofrendo uma enorme pressão só por ela segurar meu ombro, meu braço segurado estava pesando uma tonelada, eu não conseguia me virar nem fazer ela me soltar, era muito forte.

― Lilithi! Lilithi! ― gritei estendendo a outra mão pra ela. Ela continuava gritando, parecia ser queimada no peito.

― Eu acabei por aqui, Lilithi, continue trajando seu próprio caminho, você é uma seguidora, não uma escrava, por isso não vou te punir ― disse ele. Então Lilithi parou de sentir dor e se sentou no chão, abriu a blusa e encarou suas cinco novas estrelas no meio de seus seios, estavam mais juntas e tomavam menos espaço. Ela pareceu que tinha esquecido até mesmo de mim.

― Por que não me matam? Por que ficam me humilhando? ― perguntei irritado. No chão ainda sendo segurado pela Primeira.

― Quero ver até onde pode ir a extensão de seu poder, se continuar me decepcionando como hoje você certamente morrerá, quando achar que está pronto venha salvar sua deusa ― disse friamente o Deus das Trevas, abriu um portal no ar e fez ela passar flutuando para o outro lado sumindo dentro das energias azuis.

― Desgraçado! ― gritei.

― Vamos― disse ele olhando para trás de mim. Meu corpo então voltou ao normal, quando olhei para trás a Primeira já havia sumido, quando voltei pra frente o portal já estava fechado e o deus também havia desaparecido. Ficamos só eu e Lilithi parados. Lilithi me olhou de lado me vendo se sentar no chão, a Primeira mesmo apertando meu ombro com força não me machucou. Desfiz minha armadura desanimado, nem se quer podia salvar a deusa que me orientou até agora.

― Kyoran, não fique triste, é assim que tinha que ser ― disse Lilithi e engatinhou na minha direção, escorou o rosto no meu peito molhado, por cima da blusa.

― O que eu não entendo, Lilithi? Por que você disse aquilo pra ele? ― perguntei com calma, ela forçou meu corpo com a cabeça e me derrubou no chão, não liguei, deixei ela me abraçar enquanto nos deitávamos.

― Está tudo bem, não precisa ficar triste, tudo está como deve ser agora, ele tem mais poder pra proteger ela do que você nesse momento ― disse deitando sua cabeça em meu peito.

Proteger Akasha? O que disse? ― perguntei de volta.

― O que acha que um deus caído pode fazer com outro igual? ― perguntou ela virando o rosto pra mim, continuava abraçada comigo.

― Tentar corromper a mente? ― perguntei, já que não parecia querer matar como ela acabou de dizer.

― Exatamente, você terá tempo pra ficar forte e tentar salva-la, quando estiver pronto eu te levo ao esconderijo dele e te ajudo ― disse Lilithi. A chuva finalmente começou a diminuir, o céu ia se abrindo timidamente voltando ao normal. Passei a mão pelos cabelos de Lilithi esquecendo temporariamente tudo que tinha acabado de acontecer, por que eu parecia me sentir preocupado e ao mesmo tempo aliviado naquele momento?

― Temos que ir, não suporto mais ficar com essas roupas encharcadas ― disse e nos levantamos.

― Eu nunca guardo roupas, não cabe muita coisa no meu armazém de energia, mas, trouxe dinheiro, podemos comprar algumas, já sabendo que você não vai gostar da ideia de roubar ― disse Lilithi normalmente fazendo surgir algumas moedas de ouro na mão.

Armazém de energia?― pensei. ― tanto faz, havia coisas mais importantes agora do que perguntar aquilo.

― Podemos arranjar um lugar para nós dois também? Não pretendo voltar agora para o castelo ― disse me lembrando de Kaylla. Lilithi abriu um largo sorriso.

― Finalmente! ― disse ela feliz, eu acabei sorrindo por a ver assim, ela se agarrou em meu braço e pegamos o caminho para a cidade, ao mesmo tempo a chuva se encerrava. A meia lua agora estava visível no céu limpo, as nuvens de agora a pouco haviam sumido como em um piscar de olhos, havia acabado de escurecer.