O Mundo dos Titãs

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Autor: Edson Fernandes da Costa

“Visão do Mundo.””

O mundo dos titãs nunca mais seria o mesmo depois do retorno de Dante. Pactos estavam sendo feitos, criaturas místicas se preparavam, monstros se multiplicavam, reinos se reunião com seus mais importantes membros. Havia uma profecia em um pergaminho antigo que dizia sobre a volta daquele que mudaria o mundo, humanos, anões, criaturas, todos tinham esse mesmo pergaminho em mãos.

“O titã mais famoso morrerá, e então retornará a vida, uma vez que ele volte, suas ações moldarão o futuro de todo o mundo, ele trará caos ou paz, morte ou vida. Se ele falhar antes de atingir seu objetivo, o mundo poderá continuar pela própria sorte. Sua nova morte causará a sua falha.”

 O rolo havia sido alterado assim que Dante voltou com a parte de sua morte será sua falha. Muitos não aceitavam que o futuro do mundo estivesse nas mãos de um mero titã. Outros acreditavam que o fim do mundo estava próximo e por isso era necessário ajudá-lo a seguir o caminho da justiça para assim salvar o mundo.

Vários e vários seres do mundo inteiro reliam a profecia, o retorno de Dante, a vida era o sinal que todos esperavam. Alguns queriam ajudar, outros desejavam a sua morte. Reinos, exércitos se moviam, criaturas se reunião.

Em um imenso cerco de gelo em temperaturas impossíveis de se aguentar humanamente, criaturas de pele azul emergiam suas cabeças saindo das águas geladas, várias e várias cabeças se levantavam com seus pescoços gigantes, uma conversa era iniciada por elas através dos pensamentos, tais como os dragões, elas podiam conversa entre si.

Em uma ilha distante do mundo dos homens e dos titãs, a Rainha estava deitava em um pano fino com seu corpo humano de pele branca levemente bronzeada, sobre a areia clara aproveitando os raios de sol. Ela adorava imitar as mulheres, usava calcinha e sutiã porque ficava mais atraente apesar de não ter ninguém para demonstrar sua beleza. O mar a frente começou a borbulhar, surgiram criaturas com fisionomia de mulher, no entanto, suas peles eram escamosas como as de um tubarão, saltaram para fora virando garotas normais diante da Rainha já em posição respeitosa, agachadas e com os rostos voltados ao chão, todas nuas, eram mulheres ainda mais belas que titãs, como se fossem todas princesas do mar. A Rainha sabia que tinha chegado a hora, se ela não fizesse seu movimento o mar não seria mais seguro para ela e suas garotas, então ela se levantou, seu corpo brilhava sobre a luz do sol, assim como diamantes, tal como suas crias. Eram almejadas por milhares de homens, pobres almas, é mais fácil ir ao paraíso cem vezes do que ter uma delas.

Sobre a escuridão do fundo de uma caverna, criaturas fortes e peludas semelhantes a lobos saiam do chão sonolentas, seu sono havia sido despertado pelo tumulto gerado no mundo, até mesmo elas sabiam que era a hora de cumprir sua missão. Olhos vermelhos como sangue e dentes brancos surgiram formando vários sorrisos obscuros dentro da imensa caverma.

No templo abandonado, no meio de um deserto de areia, uma vela em cima de uma mesa foi acesa sozinha, o fogo queimava calmamente enquanto iluminava algumas sombras que se reunião em volta, sombras essas que não refletiam corpo de ninguém, uma conversa em uma linguagem estranha podia ser ouvida, porém não compreendida, as sombras pareciam ter muito assunto para por em dia.

Em outro ponto nas montanhas mais altas, aves riscavam o ar, queimando o céu e rochas, estavam comemorando a chegada do fim, o mundo poderia acabar, mas elas jamais morreriam, era hora de tomar o que era delas por direito. Quem visse de longe as lindas luzes de fogo subindo e descendo nos céus sentiria pavor em seu coração só pelo barulho ameaçador que as aves de fogo faziam.

            Numa cidade aparentemente tendo um final de tarde tranquilo, os homens descarregavam uma carruagem de mercadores quando avistaram no horizonte uma cortina de poeira se formando. A cortina se aproximou rápido e tudo que tiveram tempo de fazer foi se jogarem no chão e cobrir os rostos. O chão tremeu quando um grupo de Gyns passaram correndo como sombras pelas ruas da cidade, desapareceram na outra ponta em coisa de segundos, tudo que ficou foi a poeira e muita gente tossindo. Os Gyns são aves gigantes que chegam a bater três metros de altura, bem semelhante as emas, a maioria costuma ter a mesma cor amarelada em sua penugem extensa.

Os anões do aço do reino dos Luminus se juntavam no centro de sua cidade cercada por máquinas e pequenos prédios. Sobre as luzes dos cristais de fogo colocadas nas barras de ferro enterradas ao chão, postes desse mundo, eles se reunião para falar sobre o futuro do mundo, nem mesmo o anões que tinham tanto trabalho poderiam ignorar esse fato.

Nas florestas distantes de um reino bem afastado o sol ainda começava a se pôr, várias figuras humanas de aparência belas e frágeis se reunião de frente ao ancião deles. Os elfos do mundo dos titãs eram um povo que evitava se envolver em qualquer tipo de conflito, mas, algo como aquilo não poderia ser evitado. O ancião lia a mudança do rolo para todos.

            Nas montanhas do território dos Tenebris, um grupo de feiticeiros e feiticeiras se juntavam empolgados para falar sobre o futuro daquele que retornou a vida, seria o momento ideal para se vingarem de toda opressão dos titãs, eles iriam se arrepender por fazerem tão pouco de seus poderes e seus espíritos.

Orion, o Deus das Trevas, observava o mundo em um globo negro. A garota encapuzada de branco estava ao seu lado acompanhando as cenas junto de Akasha, agora a deusa já vestia roupas de uma mulher comum.

― O que você acha, Akasha? ― perguntou Orion sorrindo ironicamente e se virando para sua nova hóspede.

Akasha ainda estava fraca, como uma deusa recém caída ela não conseguiria nem mesmo se proteger, ela teria que aguentar tudo em silêncio até recuperar parte do seus poderes.

Das criaturas místicas a Rainha do Mar era certamente a mais perigosa e poderosa, ela foi criada pela própria mãe dos deuses que não media esforços em deixar suas crias incríveis. Não havia como saber o que tinha na cabeça dela e nem qual eram seus planos.

― A Rainha é o maior perigo, é com ela que você deve se preocupar ― disse a deusa firmemente olhando o globo na mão dele.

― Kyoran não faz ideia de que Kaylla é apenas um brinquedo perto dessa criatura, ela ficou afastada do mundo por quase um milhão de anos, só pretende voltar por causa da profecia ― disse Orion e a visão no globo voltou a rainha.

A rainha caminhava com elegância passando por uma a uma de suas filhas, parando na frente de cada ela fazia a moça se levantar puxando delicadamente seu queixo para cima, em resposta, as garotas obedeciam, então um beijo suave era dado em cada boca enquanto ela abençoava suas filhas com mais poder. A Rainha exibia um cabelo longo e liso com múltiplas tonalidades de cores, eles começavam escuros na cabeça, conforme desciam pelo pescoço iam ficando mais claros, até terminarem dourados por cima de sua pele brilhante.

Então ela parou, havia sentido uma presença, era a segunda vez em pouco tempo, virou-se de lado, estendeu a mão e estralou os dedos. O ar foi feito em pedaços como se linhas negras cortassem a própria realidade, por um momento tudo ficou torto, quem visse de longe, diria que era uma parede de vidro toda rachada pela extensão de toda ilha, nenhuma de suas filhas nem mesmo ela fizeram qualquer movimento, estavam esperando tudo se normalizar, até mesmo o vento e o som do mar tinham cessado, qualquer ser vivo fora da área de proteção da Rainha e suas filhas seriam destroçado. Quando as linhas sumiram uma moita que cercava uma árvore caiu junto com ela que se partiu em pedaços, o vento e o som das águas do mar retornaram. A Rainha sorriu satisfeita vendo que sua privacidade havia voltado. Ela então voltou a abençoar suas filhas.

O globo de Orion se desfez em suas mãos como se fosse restos de areia negra. Ele ficou furioso, não imaginava que alguma criatura no mundo poderia o perceber tão rapidamente.

― Como eu disse, ela é a mais perigosa ― disse Akasha calmamente e se virou de lado caminhando, apesar de dizer isso ela não ignorava a força das outras criaturas místicas, de outros monstros, nem qualquer outro titã, mesmo os outros seres, anões, elfos, feiticeiros, todas as peças do mundo estavam em movimento e o futuro era completamente desconhecido. Danilo e Dérius estavam parados esperando a deusa na porta do corredor pela qual ela seguia. Dérius era o mais novo Sétimo.

― Então você já vai? Não gostaria de me fazer companhia por mais tempo? ― perguntou Orion e Akasha parou na porta mas não se virou. Dérius e Danilo a olhavam firmes, ambos usavam vestes escuras e largas, nos braços braceletes prateados que cobriam quase todo o pulso, os dois pareciam quase uma cópia do outro, Danilo tinha a pele mais escura.

― Estou cansada, preciso dormir ― disse Akasha tentando parecer indiferente, sentiu-se apertada por dentro, seu coração ainda estava em pedaços, ela não conseguiu evitar esse destino desastroso, mesmo ela sendo quem era. Nem mesmo os deuses estavam fora da perigosa roda do destino.

― AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! ― um grito feminino foi ouvido por todos, veio dos anadares inferiores, era um grito de alguém em desespero, parecia estar sofrendo horrores. Orion se virou sorrindo olhando para a garota encaputazada do lado. Akasha mordeu os lábios e não conseguiu evitar um olhar de desgoto que foi assistido por Dérius e Danilo que estavam de frente a ela.

― Com licença… ― disse ela e por fim se retirou passando pelos dois. Como de costume Dérius e Danilo a seguiram, pelas ordens do próprio mestre, Akasha não podia ficar sozinha.