O Mundo dos Titãs

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Autor: Edson Fernandes da Costa

Ao abrir a porta eu fiquei um tanto quanto desconcentrado, a mulher loira e alta na minha frente parecia tanto com Aiya que cheguei a pensar que fosse ela, a cor da pele e dos cabelos eram os mesmo, o que mudava era um pouco o formato do rosto, a cor dos olhos que eram escuros e os cabelos que eram caracolados. Hina do lado imediatamente a reverenciou como faria ao ver o rei, uma rainha ou os filhos, eu ainda permaneci no perdido.

― Você deve ser Kyoran, é um prazer conhecê-lo ― disse a jovem bonita me estendendo a mão com um sorriso tranquilo. Ela se vestia com classe, um vestido branco com algumas listas em pratas e enfeitada com bastante ouro, bracelete de ouro, pulseira de ouro, anéis um em cada mão, ela tinha um lindo colar no pescoço que brilhava com tantas pedras de diamante que me deixaram até meio zonzo. Eu apertei cordialmente a mão dela ainda embaraçado com aquela situação.

― Me chamo Estela, sou irmã de Aiya princesa do castelo do norte― se apresentou ela apertando minha mão, pude senti uma sensação quente se espalhar por minha mão e minha pele o que me fez olhar ligeiramente para as nossas mãos apertadas, parecia está tudo normal mesmo sentindo a sensação ainda se espalhando. Ela sorriu e soltou, olhou para Hina ainda sorrindo.

― Fiquei feliz em saber sobre vocês, espero que se tornem um bom casal no futuro ― disse Estela parecendo educada. Eu ainda olhei minha mão confuso sentindo a sensação quente se espalhar pelo braço e começar a sumir, embora não parecesse me fazer mal era bastante incomum.

― Obrigada princesa, estou feliz em ver você também ― disse Hina levantando a cabeça e sorrindo a olhando. Atrás de Estela, dois homens altos, fortes e de cabelos escuros bem longos nos olhavam sérios, eles se vestiam com roupas mais naturais, calças escuras e camisetas azuis, se cobriam com um manto roxo quase escuro ao qual carregavam um símbolo de duas taças de ouro se batendo com um brinde, as taças desenhas pareciam soltar um pouco de vinho pelas beiradas.

― Eu só passei para conhecê-lo mesmo, é uma pena você não se lembrar de nada. A propósito, eu ouvi que você pretende atacar o Deus das Trevas, bem, eu trouxe um pouco de tropas também. Sabe, se você quiser aproveitar e lançar um ataque contra o Deus das Trevas esse seria o momento mais oportuno ― disse ela sorrindo. Depois virou-se e passou pelos dois homens cabeludos, que me olharam sérios sem qualquer expressão, se viraram e a seguiram. Hina e eu continuamos em silêncio vendo os três se afastar. A primeira coisa que fiz foi agradecer de todo coração a chegada dela, isso evitou uma situação quase inevitável.

― Eu acho que estou indo por enquanto, depois a gente se ver ― disse Hina me olhando de lado, parecia ainda nervosa, depois saiu andando quando fiz um sim com a cabeça pra ela, vi ela seguindo pelo corredor sumindo logo depois de Estela. A sensação quente já havia passado completamente, fiquei ainda me perguntando o que deveria ter sido aquilo.

― Está tudo bem? ― perguntou Roni que continuava ao lado de Rania do outro lado do corredor, eles se aproximaram a notar que eu estava olhando com bastante frequência para minha própria mão.

― Está sim ― disse.

Livre de Hina e de Estela, agora eu podia finalmente ir visitar o ninho e contar todas as novidades, esperava também encontrar Eraim que a vários dias estava sumido. Como já estava arrumado eu expliquei para meus novos protetores onde pretendia ir e eles logicamente já se prontificaram em me seguir, não me incomodei, era muito melhor ter a presença dos dois do que dos Iluminados, pelo menos eles tinham um certo afeto pelo Dante do passado o que ajudava a me tratarem com mais respeito.

A chegada de Yago e Estela tinha mesmo aumentado a movimentação, o pátio estava bem cheio de titãs que conversavam em rodas, pareciam ser amigos que há muito tempo não se viam. Eu, Roni e Rania passamos sem problemas por eles, estavam tão interessados nas próprias conversas e debates que nem deram muita atenção, não que fossem impedir, mas era melhor assim, eu não gostava de ter que cumprimentar a todo momento dezenas de pessoas.

Enquanto caminhávamos Roni e Rania me falaram um pouco mais sobre eles, ambos foram visitados pelos próprios Iluminados que tinham interesses em suas habilidades especiais e assim os levaram diretamente ao castelo, então, eles treinavam desde novos para adquirirem o poder que têm hoje. Não perguntei muitos detalhes, o que o pai da Aiya fazia não era do meu interesse, no momento minha meta era destruir o Deus das Trevas.

Tal como os Iluminados eles esperaram nas altas árvores próximos ao ninho e eu entrei passando pelos dragões que nem se preocupavam com minha presença, apenas me olhavam curiosos e depois enterravam suas cabeças de volta na grama. ― Esses bichos só dormem, parecem até gatos.

Quando desci os corredores de terra em caracol fiquei muito feliz em ver Eraim deitado tirando um cochilo todo enrolado como uma concha gigante. Ele piscou os olhos ao me ver e levantou a cabeça de suas patas da frente.

― Precisamos conversar, tampe a passagem e mande ela vim aqui na frente ― Disse. Roni e Rania poderiam parecer dois protetores legais e que passavam mais confiança, no entanto, eu não colocaria jamais a descoberta de Lilithi em risco, ela estaria sempre segura desde que todos continuassem acreditando que ela estava morta, embora eu ainda tivesse preocupado com Ricardo, se ele contasse a alguém sobre suas suspeitas eu teria problemas. Os olhos de Eraim brilharam e a passagem atrás de mim foi coberta por uma parede de cristais. Fiquei olhando para trás até ela terminar de se formar e fechar todas as brechas, depois me virei e vi pelo corredor que dava em minha casa Lilithi vindo correndo com agilidade, Eraim já tinha passado a mensagem ao que parecia. Lilithi chegou me abraçando e sem se incomodar com Eraim foi me beijando nos lábios e sorrindo.

― É muito bom ver você ― disse ela animada.

― Digo o mesmo ― disse de volta e ficamos abraçados nos olhando, eu apertava a cintura de Lilithi contra mim com as mãos em sua bunda e ela segurava minhas costas. Nós nos alegrávamos com a presença um do outro apenas por estarmos juntos. Eraim bateu a pata da frente no chão e um pouco de poeira voou em nós nos lembrando de que precisávamos conversar. Nos soltamos e encaramos Eraim que agora parecia está numa posição sentada. Ele nos olhava de cima.

― Dragão apressado ― reclamou Lilithi um pouco irritada de lado, cruzou os braços. Sem mais delongas comecei a explicar toda a situação atual do castelo, disse que esse era o melhor momento para atacarmos e salvarmos Akasha.

― Ele diz que você ainda não está pronto, embora tenha ficado mais forte ainda não é suficiente ― explicou Lilithi com os olhos quase fechados, ela permanecia de braços cruzados.

― E quando será suficiente? Quando a Akasha já estiver em total controle dele? Sabe que não temos todo o tempo do mundo ― reclamei olhando Eraim.

― Não podemos abandonar o ninho, da última vez sofremos um ataque e acho que estão tentando invadi-lo ― disse Lilithi repassando a mensagem.

― Eu já imaginava isso, na última batalha você não participou Eraim, deixou meu antigo eu por conta própria.  Eu acho que as coisas estão apenas se repetindo novamente ― reclamei o olhando.Eraim saltou guincho baixo jogando bafo quente perto de nós e virou o focinho de lado encarando a parede, pareceu inconformado com meu comentário.

― Ele concorda dizendo que você continua teimoso feito uma rocha igual na primeira vez ― repassou Lilithi.

― E você Lilithi? Acha que com as tropas de Aiya, Yago e Estela temos alguma chance? ― perguntei vendo que Eraim não ia mudar de ideia. Lilithi abriu os olhos e ficou me estudando por um tempo, depois disse.

― Eu acho que você pode esperar um pouco mais, não é como se eles fossem embora a qualquer momento, como o dragão ignorante disse você tem que treinar mais ― disse Lilithi e o dragão se virou pra ela com uma expressão de poucos amigos, Lilithi parecia já estar bem acostumada com Eraim, eu ainda me lembrava de quando Eraim quase a matou.

― Você também pensa assim ― disse um pouco desiludido abaixando o olhar para o chão.

― Você ainda terá tempo de sobra, não se preocupe ― explicou ela e estendeu a mão apoiando meu braço.

Depois da conversa que não levou mais a lugar nenhum,Lilithi me puxou para dentro do meu espaço.  ― Não me acostumava chamar de templo ― então fizemos amor testando várias novas posições. Ela chegou a me questionar sobre como eu andava com relação a Hina e eu disse a verdade, cada dia andava mais difícil continuar fingindo e hoje quase chegamos a transar, ao contrário do que pensei Lilithi não ficou tão nervosa, disse até que estava satisfeita por eu ter dito a verdade, ela contou que desde o começo sabia o trabalho que seria me ter apenas para ela.

― Não pense que por eu dizer isso você vai sair por ai pegando todas viu ― disse ela, estávamos deitados na cama. Como tinha um passado já algumas horas eu precisava voltar, não podia ficar aqui o tempo todo, Roni e Rania me esperavam afinal. Me despedir dela no início do corredor e fui voltando calmamente, satisfeito por ter matado as saudades. Me virei dei um tchau da metade do corredor como um idiota apaixonado que eu estava, ela apenas sorriu me olhando enquanto me via acenar. Foi estranho, assim que abaixei a mão que estava acenando eu senti como se escorresse alguma dela, quase como uma água morna, cheguei a olhar para a própria mão depois para o piso, não havia nada de errado. Ignorei, me virei e segui meu caminho, Eraim já tinha liberado o caminho, então eu apenas passei por ele que dormia despreocupado e segui meu caminho.


Agradecimentos pela revisão > Igor Ribeiro