O Mundo dos Titãs

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Autor: Edson Fernandes da Costa

“Eu, Kyoran”

Fui Acordado com as pancadas na porta do meu quarto, por um segundo me lembrei irritado de Baturiel, não era ele, logo ouvir a voz de Arzachell do outro lado da porta.

― Kyoran rápido! Acorda! ― Arzachell parecia está realmente com pressa.

― Já estou indo ― respondi, pulei da cama e já fui direto para a porta, destranquei e abri encontrando Arzachell que já me puxou pelo braço para fora do quarto.

― Estamos com um sério problema ― disse ele no meu ouvido isso porque do meu lado Roni nos estudava curioso, Rania não estava presente agora, eles revezavam à noite pelo que pude entender e nesse momento Rania estava dormindo.

― Que tipo de problema? ― Perguntei confuso e já um pouco nervoso devido o estado de Arzachell. Em vez dele me responder me entregou um papel cortado, haviam palavras escritas a pressa e então eu li: “O ninho foi atacado, ela foi ferida gravemente em seu ponto fraco, precisamos levar ajuda”. Eu entendi na mesma hora do que se tratava embora não fizesse ideia exatamente do que aconteceu, o primeiro pensamento veio de levar Tomas, mas ele não estava mais aqui, me desesperei, não conhecia ninguém de confiança que tivesse algum meio de curar ela.

― Não temos muito tempo Kyoran ― disse Arzachell me lembrando, por um momento até esqueci que Roni ouvia tudo curioso do nosso lado.

― Temos que levar ela, é o único jeito ― disse olhando Arzachell. ― Hina é a única aqui que talvez possa ajudar ― disse apressado, Arzachell ficou em silêncio, eu poderia está prestes a colocar todo o plano por água abaixo, esta era a única solução que eu tinha, não havia outra escolha.

― Seja o que for faça logo, ela não tem muito tempo de vida ― disse Arzachell que pareceu concordar comigo. Não dissemos mais nada um para o outro, partimos rápido pelos corredores até a frente do quarto de Hina, Roni obviamente veio atrás mantendo uma distância de uns cinco metros, ele não ia nos dar privacidade, obviamente, vendo Arzachell e eu alterado daquela maneira não ia da mesmo. Arzachell o olhou mais de uma vez, parecia preocupado, enquanto isso eu espancava com pressa a porta do quarto de Hina.

― Pelos deuses, tenham calma eu já vou! ― gritou Hina de dentro me deixando aliviado. Ela saiu com os cabelos um pouco bagunçados e cara de sono, ela estava usando um pijama de saia amarelo para dormir, estava meio engraçada.

― Kyoran rápido! Ela tem poucos minutos agora, não da pra ficar enrolando, ela já começou a perder os sentidos ― disse Arzachell do meu lado.

― Não teremos tempo de chegar rápido se já estiver a esse ponto ― disse me lembrando que mesmo correndo a toda a velocidade ainda demoraríamos minutos para chegar ao ninho, peguei a mão de Hina a puxando para fora, mesmo relutando e completamente perdida ela me seguiu.

― Precisamos ir para o centro do pátio depressa ― disse Arzachell se virando e correndo passando por Roni que cada vez ficava mais preocupado, afinal ele estava ouvindo toda nossa conversa e boiando, praticamente. Passei por ele correndo e levando Hina que teve que começar a correr também, estávamos usando nossa velocidade titã normal. Em poucos segundos estávamos no pátio ao lado de Arzachell, meu coração batia quase explodindo no peito, em pensar em perder Lilithi de novo já me deixava completamente desesperado.

― Só temos que entrar ― disse Arzachell e se virou para nós, um portal surgiu em suas costas, esse era pequeno, só passava mesmo pessoas humanas.

― Kyoran o que está acontecendo? Eu não estou entendendo! ― disse Hina sem se aguentar mais.

― Eu explico depois, temos que ir agora ― eu a puxei e entramos no portal, Arzachell ficou para trás encarando Roni, provavelmente para não deixar ele passar e o portal se fechou logo em seguida, agora eu e Hina encarávamos o corpo deitado de barriga pra cima de Lilithi, seu rosto estava virado de lado inconsciente deitado por cima de seus cabelos, havia muito sangue por cima de seu quadril. Hina abriu a boca extremamente confusa sem retirar os olhos de Lilithi, só depois ela correu o olhar em volta da caverna rochosa enquanto eu me lançava de joelhos ao lado de Lilihti olhando seu pulso, sorte ainda estava batendo, mesmo tão fraco.

― Kyoran onde estamos? E por que Lilithi está aqui? Ela não deveria está morta? ― perguntou Hina se voltando para mim.

― Ela ainda está viva, só você pode curá-la, Hina rápido! ― disse me virando nervoso para ela.

― Se é um pedido seu é o suficiente ― disse ela se sentando de pernas cruzadas ao lado de Lilithi, energizou as mãos com sua aura harmônica e cobriu o quadril de Lilithi. Ao ver isso eu já me senti aliviado.

― Os danos estão muito altos Kyoran para esse local ferido, nenhuma pessoa normal ficaria nesse estado com um ferimento desses nessa região, o que aconteceu com ela? Aliás, por que ela não está morta? ― perguntou Hina me olhando.

― Eu acho que você precisa saber de muita coisa a partir de agora ― disse olhando de lado.

― Bem estou curando e posso ouvir, não garanto que ela possa ser salva, farei tudo que puder ― disse ela e senti mais um aperto no meu coração. Havia uma parede de cristal ao nosso lado e pelo barulho lá fora estava ocorrendo uma batalha, minha preocupação estava toda em Lilithi, eu não poderia ajudar em nada lá fora estando tão aflito.

― Lilithi sobreviveu depois de dar a vida dela em troca da minha, não posso dizer os detalhes, ela apenas se escondeu por aqui durante todo esse tempo ― disse calmamente.

― Kyoran você não gostava dela? Ou estou enganada? ― perguntou ela curiosa virada para mim sem parar de curar Lilithi nem por um segundo, eu segurei a mão estendida de Lilithi do lado e apertei olhando seu rosto.

― Eu ainda gosto Hina ― respondi e olhei Hina de lado, ela ficou um pouco chocada e então se virou olhando o ferimento.

― E tudo entre nós o que significa? ― perguntou ela.

― Você era a única opção que eu tinha além de Aiya, essa será uma longa história, eu vou te contar tudo ― expliquei. Hina apesar de está um pouco abatida fez um sim.

Em dez minutos eu consegui resumi tudo que precisava contar. No final Hina acabou começando a rir, eu fiquei espantado olhando para ela.

― O que é tão engraçado? ― perguntei.

― Eu acho que não deveria rir em uma situação como essas, é que, nós quase transamos e isso tudo porque vocês não confiaram em mim, se tivessem me dado uma chance ― explicou ela. Eu senti nesse momento a mão de Lilithi apertar as minhas, por um momento esqueci até que estava com Hina do lado.

― Lilithi? Lilithi? ― perguntei olhando o rosto dela que se virou abrindo os olhos devagar, ao me ver ela permaneceu serena como uma recém acordada de um sonho, ao ver Hina, ela arregalou os olhos e tentou se levantar bruscamente, eu tive que a segurar nos ombros soltando sua mão.

― Se acalme, ela está curando você ― disse apressado, apenas depois de ouvir isso Lilithi relaxou os olhou e ficou mais calma.

― Por que ela está aqui dentro? E todo o segredo? ― perguntou Lilithi olhando Hina que se virou algumas vezes a olhando, o problema é que o olhar de Lilithi não agradava a todos e isso fazia as pessoas não quererem olhar de volta pra ela, por isso, Hina parecia ficar focada olhando a própria aura enquanto circulava o ferimento no quadril de Lilithi, mantendo sempre ambas as palmas das mãos estendidas para o local ferido.

― Não existe mais segredo, eu acabei de contar tudo, fiquei sem escolha ― disse baixinho. Lilithi virou de lado à parede sem dizer nada, eu não sei o que se passava na cabeça dela.

― Então o eu aconteceu aqui? ― perguntei.

― Seu protetor ainda não te contou nada? ― perguntou Lilithi se voltando pra mim.

― Eu não vi nem ele nem Eraim até o momento.

― Fomos invadidos por feiticeiros, eu lutei contra eles para libertaro tal velho e acabei sendo gravemente ferida, então depois disso ele me trouxe aqui e foi terminar com os outros lá dentro ― explicou Lilithi.

― Fiquem as duas aqui eu vou procurar por ele ― disse me virando, conjurei todo meu armamento e parti correndo pelo corredor das estátuas. ― Tenha cuidado! ― disse Lilithi. Assim que me virei no primeiro corredor eu parei chocado, Sebastian estava em pé parado ao lado de uma pilha de corpos e estava acabando de jogar mais um corpo em cima dela, havia muito sangue espalhado, rostos de olhos esbugalhados e bocas abertas mostrando o desespero de seus últimos momentos de vida. Ao lado de Sebastian havia três espadas douradas flutuando e se movimentando como se estivessem vida e dois escudos de prata azulados, todos os cinco circulavam Sebastian em perfeito sincronismo.

― Sebastian? ― perguntei desfazendo o elmo. Ele se virou pra mim e se curvou em rápido cumprimento.

― Não desfaça sua defesa senhor, ainda há inimigos sobreviventes. De qualquer modo pode deixar isso comigo ― disse ele, nesse momento do final do corredor três figuras mascaradas de sobretudos escuros sugiram, eles estavam de máscaras, Sebastian se virou olhando junto comigo.

― Vamos acabar com todos! ― gritou um deles e senti que eles que estavam acumulando energia que apesar de não ser aura, era algo bem parecido, conjurei meu elmo de volta. As três espadas saíram em busca de seus alvos, os escudos ficaram e Sebastian deixou a mão em minha frente antes que eu tomasse qualquer atitude.

― Pode deixar comigo, fique com sua mulher ― disse ele. Bolas de fogo e de gelo vieram voando e acertaram os escudos que tomaram a nossa frente, o impacto jogou gelo e fogo nas paredes em volta, eu desvirei o rosto cobrindo com as mãos por puro reflexo, quando voltei a olhar, os três já estavam caídos no chão com as espadas flutuando por cima deles, Sebastian já estava ao lado deles, os escudos no ar, estavam se tremendo ainda próximos à mim, eles estavam aranhados, aos poucos normalizaram se recuperando ao ponto inicial de antes e saíram atrás flutuando para junto de seu conjurador. Relaxei os pensamentos e voltei para as meninas, Sebastian podia se cuidar muito bem sozinho pelo que pude ver.


Agradecimentos pela revisão > Igor Ribeiro